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Empresário lança
"ARCA DE NOÉ" vegetal

Reportagem Estado Ecológico
Jornal Estado de Minas de 05/06/2001

Esculturas que fizeram sucesso nos Jardins da Babilônia e hoje são hobby nos EUA também chegam a Minas, através de uma nova e ambiental tecnologia

MANADA VERDE
Mesmo sem o verde da hera em seus
corpos, as réplicas dos animais já enchem
de vida o galpão da indústria
A palavra "topiaria" significa "a arte de adornar os jardins, através da transformação de árvores e plantas em esculturas vegetais". Foi o que o engenheiro mineiro João Marques Fernandes, presidente da Nascentes Fernandes, empresa especializada em recuperação de áreas degradadas, descobriu não apenas como hobby artístico, mas como um novo filão de negócio.
Antes de serem lançadas comercialmente no mercado, réplicas de todo e qualquer tipo de animal, como girafas, camelos, leões, vacas, elefantes, veados e até dinossauros em tamanho natural já povoam a oficina de moldagem do empresário, localizada no bairro das Indústrias, em Belo Horizonte.
Mais que um galpão, a oficina lembra uma "Arca de Noé", tamanha a diversidade de animais agrupados, aguardando um destino comum: os jardins de empresas, órgãos públicos, sítios, fazendas, haras e residências particulares, onde se "sentirão" de volta à natureza.
Parceria:
João e sua girafa
Depois de reproduzidos com estruturas de aço, os esqueletos dos animais, tanto o corpo como a pele, ganham um revestimento ecológico, ou seja, uma "massa" feita à base de derivação de uma outra tecnologia limpa que o mesmo empresário já patenteou. É chamada "manta vegetal projetada", formada por uma argamassa vegetal constituída de bagaço de cana, resíduo de celulose, papel picado e fixadores especiais, importados da França.
Isto significa que, faça sol ou faça chuva, o corpo dos animais não perde a dureza nem a elasticidade, podendo até ser montada pelas pessoas, por crianças principalmente.
Mas esse não é o detalhe final, e sim o início porquê foram "criados" assim. Tão logo são instalados em um jardim ou área verde, servem de suporte para heras que, plantadas no chão, em cada uma de suas patas, começam a crescer, trepar e "esverdeá-los" por completo, transformando-os, com o passar do tempo, em esculturas decorativas. Ou até em marketing para empresas, na medida em que também podem afixar suas logomarcas nos animais, presas com grampos e acompanhando o contorno do corpo.

Dos Jardins da Babilônia

A origem da "topiaria" ou escultura vegetal é muito antiga. Egípcios e romanos foram os precursores das técnicas de esculpir arbustos, dando-lhes as mais diversas configurações por meio da poda de galhos. As primeiras topiarias datam de 500 anos antes de Cristo, nos famosos jardins suspensos da Babilônia.
Hoje, João Marques foi buscar inspiração nos Estados Unidos, onde a prática de jardinagem e paisagismo como lazer e separação de residências é comum. Tudo que lembra planta e animal, explica o empresário, nos remete ao afeto. O que lembra natureza, lembra ecologia. E o que lembra ecologia nos faz crescer a consciência ambiental:
"Este é o meu objetivo filosófico, além do comercial, que é gerar empregos e renda, e até exportar os animais. Já recebi várias propostas. Com a nossa tecnologia ambiental, espero difundir também entre os brasileiros, pela via dos animais que precisam ser podados constantemente, o gosto de lidar com jardins, com plantas e, por conseqüência, familiarizar-se e valorizar novamente a fauna que temos e se extingue hoje, tristemente, em todo o Planeta."
 
 
 
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