MANTA VEGETAL com hidrossemeadura: acoplagem moderna do invento de Frank Waring na rodovia Fernão Dias
"O casamento perfeito"
MANTA VEGETAL com HIDROSSEMEADURA (Reportagem Estado Ecológico - jornal Estado de Minas de 25/10/99)
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Você sabia que a força do impacto de uma gota de chuva no solo equivale ao peso do salto fino de uma mulher de 60 quilos? Pois é. Se você ainda não assistiu ao filme "Vida de Inseto", pode acreditar assim mesmo. Desde 1937, graças ao americano Frank M. Waring, que obteve a patente da "manta vegetal" nos EUA, essa inovação tecnológica está presente em larga escala no mundo das minerações, rodovias, ferrovias, aeroportos, barragens e em outras atividades que modificam o solo.
Trata-se de uma técnica simples de revegetação do solo, tão simples como foi o Ovo de Colombo, só que depois de descoberto. Como se pode ver nas fotos acima, após plantadas as sementes de gramíneas e leguminosas ou de qualquer outra vegetação desejada, o solo é protegido tanto dos pingos de chuva como do excesso de sol por uma manta feita à base de fibras orgânicas. Depois de algum tempo, quando as sementes já germinaram e começam a crescer, essas fibras acabam apodrecendo e se integrando ao solo, como nutrientes naturais.
Já a "hidrossemeadura" é conhecida há mais de 30 anos, com larga aplicação no Brasil. Sua técnica também é simples: através de um caminhão-pipa dotado de um misturador e um conjunto moto-bomba, as sementes misturadas em água, fertilizantes, corretivos e fixadores são lançadas no solo, em taludes de cortes e aterros de minerações, rodovias, ferrovias, aeroportos, barragens etc.
O que não se sabia, até agora, é que ambas as técnicas poderiam ser agrupadas, com um resultado obviamente muito superior. Quem garante isso é o engenheiro mineiro João Marques Fernandes. Através da sua empresa Nascentes Fernandes, especializada em recuperação ambiental de solos, ele entrou com um pedido no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI) em 1997 para patentear o que chama de "casamento perfeito".
No agrupamento das duas técnicas - ele garante - os incovenientes de cada uma se anulam: "A manta vegetal resolve a questão da seca prolongada ou das chuvas fortes, principais problemas de um trabalho de hidrossemeadura. O excesso de calor em um solo exposto, como na hidrossemeadura, faz grande parte das sementes morrerem. O mesmo acontece com a erosão causada pelos pingos de chuva que caem diretamente no solo".
Já o principal defeito da manta vegetal - a revegetação seletiva no solo (sementes plantadas em covas pontuais) e a necessidade de um tempo maior para "fechar" de verde a área escolhida - é solucionada com o acoplamento da hidrossemeadura, que "fecha" tudo em pouco tempo: "A prática tem nos mostrado que se trata da melhor solução, inclusive econômica, na recuperação ambiental de áreas de difícil restabelecimento", afirma o engenheiro.
A primeira demonstração que confirmou o sucesso do uso conjunto das duas técnicas - orgulha-se João Marques - aconteceu no trecho mineiro da rodovia Fernão Dias, quando da recém-duplicação da BR-381, que liga Belo Horizonte a São Paulo.
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