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"Investimentos em obras somam R$ 3 bi"

Se o programa de concessões sair do papel, o cenário será positivo
para a construção pesada em Minas

Reportagem do Caderno de Economia
do jornal Estado de Minas de 2/1/2000
Paulo Marinho

ATÉ JUNHO, a licitação para concessão das rodovias mineiras por um período de 25 anos já estará finalizada. Manta vegetal - NASCENTES FERNANDES - Lote nº 08 - Nepomuceno/MG

Que venha 2000, felizmente. Este, sem dúvida, é o sentimento que toma conta dos empresários da construção pesada em Minas Gerais. Afinal, 1999 foi um dos anos mais difídeis para o setor. As grandes obras públicas não aconteceram e, para piorar, não saiu do papel o Programa Mineiro de Concessões de Rodovias, elaborado no governo anterior e que só será colocado na rua no início deste ano. E as perspectivas para o setor são as melhores possíveis. O otimismo toma conta dos empresários do setor. Maurício Guedes, secretário estadual de Obras Públicas

O secretário estadual de Transportes e Obras Públicas, Maurício Guedes, diz que o otimismo faz sentido. Afinal, já está definido o programa de obras para os quatro anos do atual governo, que vai demandar investimentos de R$ 3 bilhões.

A contrapartida do governo mineiro será de R$ 400 milhões, garantida pelo Fundo Mineiro de Transportes (Funtrans), já aprovado na Assembléia Legislativa e sancionado pelo governador Itamar Franco. O restante sairá de financiamentos do BNDES, BID e Banco Mundial (Bird).

Dos R$ 3 bilhões, metade se deve às concessões de rodovias. Guedes avisa que até junho, a licitação já estará finalizada e os contratos assinados com as empresas que vão administrar as rodovias mineiras pelo período de 25 anos. Duas décadas e meia de boas receitas às empreiteiras, pois a estimativa é de que estes grupos vão investir nas estradas cerca de R$ 16 bilhões.

Dívidas altas

Paulo Maurity, presidente do Sicepot

Além do otimismo, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sicepot), Paulo Maurity, torce para o governo mineiro fechar o acordo da dívida com a equipe econômica do presidente Fernando Henrique. Sem ele, os financiamentos externos para o programa de obras não virão e nem o governo estadual tem condições de quitar dívidas passadas.

Só com as empreiteiras mineiras o governo estadual tem uma dívida de R$ 100 milhões. "Já temos a promessa do governador de quitá-la assim que fechar o acordo com Brasília", afirma Paulo Maurity. O empresário lamenta o baixíssimo nível de capacidade instalada no setor atualmente, de aproximadamente 60%. Já esteve em 79% em julho de 98. "Estamos confiantes que vamos, pelo menos, retornar este patamar de 98", diz Maurity.

Prefeitura

O reaquecimento da construção pesada mineira passa também pelas obras que a Prefeitura de Belo Horizonte programou. Só na ampliação da avenida Antônio Carlos, Maurity prevê investimentos de R$ 50 milhões. A ligação da avenida Pedro II até a Pampulha também vai demandar cerca de R$ 60 milhões, segundo Maurity.

Análises de bancos confirmam otimismo

As análises dos principais bancos de investimento no País apontam o ano 2000 não só como início de uma retomada do crescimento, mas também o Brasil como boa oportunidade para investimentos. A equipe do Santander Investment prevê que o mercado brasileiro irá se valorizar 35% em doláres até o final de 2000, em relação aos níveis de 99. Crescimento bem-vindo, na medida em que houve uma depreciação, em dólares, de 38,5% em 98 e de 20% até novembro de 99.

Para os economistas do Santander Investment, o PIB brasileiro deverá crescer 2,7% em 2000. Seguido pela alta de 3,5% em 2001 e também em 2002. Eles avaliam que a desvalorização cambial deflagrada no início de 99 foi fundamental para recuperar a capacidade de solvência do Brasil, ajudando na recuperação da credibilidade brasileira lá fora.

Situação mais favorável também na balança comercial brasileira em 2000, de acordo com o Santander Investment. A previsão é de um superávit comercial próximo de US$ 4,3 bilhões. Fruto de um crescimento das exportações previsto entre 14% e 15% e uma estagnação mas importações em relação a 99. Há otimismo também quanto às taxas de inflação deste ano. De 5,5% para o IPC da FIPE, de 6,0 para o IPCA e de 6,5% para o IGP-M.

Mais otimista

Já a equipe de Paulo Pereira Miguel, diretor do Departamento de Economia do Banco Boavista, é mais otimista. Prevê um crescimento do PIB de 3,2%. Numa análise setorial, a expectativa é de que o PIB da indústria cresça 5%, contra 2,5% do de serviços e 1% para a agricultura.

A previsão é de que a taxa de câmbio se situe no patamar de R$ 1,80 a R$ 1,65 no primeiro semestre e se salte para R$ 1,90 a R$ 1,95 nos últimos seis mese deste ano. Quanto à taxa de juros oficial, a Selic, hoje em 19%, o Boavista prevê que no final deste ano deverá estar em 16,5%.

Para Paulo Miguel, a balança comercial brasileira deverá ter um superávit de US$ 4,2 bilhões, com as exportações crescendo 14,7%, mas as importações com alta de 2,1%. Os investimentos diretos devem cair de US$ 29 bilhões em 99 para US$ 23 bilhões, segundo o Boavista.
 
 
 
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