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Manta Vegetal Projetada
A "Manta Vegetal Projetada" (MVP) é um produto inédito no mercado, que chega para complementar as tradicionais telas ou mantas vegetais utilizadas no Brasil há mais de cinco anos. Mais eficiente, prática e econômica que as congêneres convencionais, a MVP tem como diferencial a vantagem de ser moldada no próprio local de aplicação, adaptando-se às condições do terreno, cobrindo ravinamentos e erosões como se fosse um tecido.

Resultado de pesquisas tecnológicas e laboratoriais desenvolvidas pela empresa Nascentes Fernandes, esse novo tipo de manta já está sendo utilizado no mercado mineiro, com comprovada eficácia em serviços de recuperação de áreas degradadas. Em Belo Horizonte, por exemplo, o produto foi aplicado pela Construtora Queiroz Galvão em trechos das obras de expansão do metrô, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), sob a supervisão da EPC - Engenharia Projeto Consultoria Ltda.

"O produto é satisfatório nos aspectos de qualidade, prazo e custo. Verificamos também pontos positivos na sua utilização, como a facilidade e a rapidez na aplicação. Mesmo tendo sido aplicada depois da época da chuva, a manta se mostrou viável, atendendo à expectativa de cumprimento do cronograma de execução da obra", afirma o engenheiro da EPC, Júlio Erbetta Neto.

Outra vantagem do produto, observa o gerente do contrato, Jorge Luiz Candreva R. Carvalho, também da EPC, é que, mesmo depois de aplicada, a manta projetada permite a correção do serviço, através da sua reaplicação em pontos onde não ocorreu a germinação. Graças a essa versatilidade, a manta pode ser aplicada na recuperação de diversas áreas, dentre elas, rodovias, ferrovias, barragens, obras industriais e áreas de mineração.

Mais segurança

Alberto Luiz, da Mannesmann
ALBERTO LUIZ, da Mannesmann: boa adaptação e segurança para funcionários

Na mina Pau Branco, da Mannesmann Mineração, em Brumadinho, região da Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA-Sul), o novo produto também vem sendo aplicado na recuperação dos taludes. De acordo com o engenheiro Alberto Luiz Bernardo, coordenador de Meio Ambiente da mineradora, dentre as tecnologias pesquisadas no mercado, a MVP apresentou resultados bastante satisfatórios e um custo 20% menor.

"Ela também se adaptou muito bem ao terreno, inclusive nos pontos mais altos e inclinados. Nesse aspecto, a questão da segurança foi outro fator decisivo na sua aplicação, pois se optássemos pelo plantio manual, nossos funcionários teriam que descer apoiados em cordas, sendo expostos a riscos excessivos", pondera.

Além de garantir a recuperação paisagística, explica Bernardo, a Mannesmann Mineração optou por fazer um trabalho complementar, com a introdução de sementes de espécies nativas da região, que foram aplicadas junto com a manta vegetal projetada. No ramal ferroviário de Águas Claras, o produto também foi aplicado pela MRS Logística, na recomposição de um trecho de ferrovia. Em outras regiões do Estado, a MVP já é utilizada também pelo DER/MG e DNER, em obras de terraplanagem, de duplicação da BR-381 e um trecho da BR-356, entre Ervália e Muriaé.

O chefe da Divisão de Meio Ambiente do DER, Murilo Fonte Boa, explica que a principal vantagem da aplicação desse novo tipo de manta vegetal é evitar que o terreno fique desprotegido. "Especialmente durante as chuvas, quando a água provoca o carregamento da terra, o entupimento de canaletas e o assoreamento dos cursos d'água", afirma.

Aplicação técnica

A aplicação técnica da MVP é desenvolvida pela Nascentes Fernandes em duas etapas. Na primeira, após o preparo do solo, é executado o plantio através do processo de hidrossemeadura, feito por um caminhão-pipa (com moto bomba e agitador interno). Nessa fase, são utilizados o mulch orgânico natural (bagaço de cana), mulch orgânico processado (rejeito da depuração de celulose), papel picado, fixador NF-13, adubação química, orgânica, sementes de gramíneas e leguminosas.
Joćo Marques, da Nascentes Fernandes
JOÃO MARQUES: uniformidade e padronização na aplicação.

Na segunda etapa, é confeccionada a manta, a partir da combinação de uma nova quantidade de mulch orgânico natural e processado, além dos fixadores NF-13 e NF-15, formando uma argamassa vegetal. Esse "coquetel" é, então, aplicado com uma mangueira, em quantas demãos forem necessárias, até a formação de uma camada vegetal orgânica homogênea, suficiente para proteger o plantio já executado e criando condições ideais para o crescimento da vegetação.

"A uniformidade e a padronização na aplicação da MVP são garantidas através da utilização de equipamentos, aumentando, assim, a sua eficiência", explica o engenheiro João Marques, da Nascentes Fernandes. Para assegurar a capacidade de atendimento à nova demanda do mercado, a empresa está investindo na compra de novos equipamentos.

Há dez anos em atividade, a Nascentes Fernandes conta, hoje, com uma frota de dez equipamentos de hidrossemeadura e está em fase de aquisição de outras dez máquinas. "Quando efetivarmos a compra, teremos a maior frota do Brasil neste segmento", antecipa João Marques.

Buscando também assegurar o fornecimento de seus próprios insumos, a empresa obteve, recentemente, a autorização do Ministério da Agricultura para a reembalagem e comercialização de sementes. A previsão é que essas espécies já estejam disponíveis para mercado, até o mês de outubro.
 
 
 
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